terça-feira, 29 de maio de 2012

DECLÍNIO

odeio quando tenho razão ...
sabia que nao ia durar,
quantas vezes te disse isso ?
mas voce é teimoso, insistiu ...

o dever sempre vence o desejo ...
o que se deseja é fraco frente ao que se precisa ...

tanto desperdício de tempo e energia
pra que ?  pra nada ...
tanto esforço, tanta atenção aos detalhes
e, de repente, deixa de existir
como uma bolha de sabão ...
bonita, lúdica e ... frágil

detesto estar certa nessas coisas !
podia errar só dessa vez !
torcia tanto !
mas não ...

implacavel a realidade desaba sobre nós ...
os olhos velados se abrem
e surge essa verdade definitiva e irrecorrível
acabou.
a magia, o sonho, a beleza, a leveza
acabou.
acordamos.
nós nos tornamos comuns,
voltamos a ser adultos,
iguais a todo o resto,
dentro de um mundinho sem graça
presos a realidade, ao dia-a-dia,
o cotidiano e seus afazeres
não há mais romance, não há mais mistério,
não há mais a emoção da caçada ...
só há a vida comum

sentença de morte.
falta de luz e calor
a flor morre, qualquer flor morreria ...

                              -silvia helena aquino-

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