quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

LETAL

é chegada a hora de enlouquecermos
como todos os sábios ...
de despertar a nossa fúria
liberar nossa crueldade
escancarar nossos limites
derramar nosso prazer
enfrentar nossos demonios
confrontar os nossos medos
restaurar nossa verdade
encarar nossos desejos
desesperar ...
é hora de sangrar o que levamos dentro
é noite de desespero e trevas.
                                      -silvia helena aquino-

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ASSIMILAÇÃO

Eu queria poder me deitar com você, me deitar sobre você, cobrir o teu corpo com o meu corpo, e deixar que o teu corpo absorvesse, aos poucos, lenta e totalmente, o meu corpo ...
E eu viraria líquido, pasta, e penetraria na tua pele, em cada poro teu, cada molécula, e você ficaria impregnado de mim ...
E o teu cheiro seria o meu cheiro, e ao senti-lo você, inevitavelmente se lembraria de mim, dentro de você ...
E eu faria todos os teus movimentos, sentiria todas as tuas sensações, saberia de todos os teus pensamentos ... eu moraria dentro de você como um caracol ...
me esconderia dentro de tuas vísceras, e tú me abrigarias em tuas entranhas, em cada órgão teu, e nunca, nada nem ninguém, poderia me separar de você, me destacar de você ...
distinguir-nos...
E você nunca mais se afastaria de mim – “nunca mais sozinha, nunca mais a solidão que eu sinto quando você não está, mesmo havendo mil, dez mil, cem mil pessoas existindo unicamente para mim, à minha volta ... eu sozinha quando você não está ...” –
Ah, se eu pudesse entrar em você desse modo, desvanecendo, desaparecendo definitivamente dentro de você, do teu corpo, abdicando da unidade para sempre em uma fusão irrecorrível, de um modo forte, absoluto, com sensação de fatalidade, quando não há mais nada a ser feito, sem haver mais forma de me salvar, deglutida que seria eu por minha própria fome insaciável de permanecer em você ...
E eu desapareceria dentro de você, e “os outros”, aqueles que antes me conheciam, só poderiam então me reconhecer, na expressão que ficaria marcada no teu olhar ...
                                                                               -sílvia helena aquino -

RASGOS

Algumas vezes recordo certas passagens,
Mas principalmente, teu abraço, teu calor
A rigidez e a segurança do teu peito,
A textura da tua pele, a cor ...
O conforto absoluto do teu abraço,
e o aço do teu olho preto fixo em mim,
o tom da tua voz e o sabor acridoce da tua pele ...
E ...  teu cheiro ...
                                      -silvia helena aquino-

LUA NOVA

voce não devia me assustar desse jeito
me fazer chorar,
isso não se faz ,
voce não tem luar ...
nem coração,
como o "homem de lata",
voce me acostuma com voce,
me cativa, me conta um segredo
e ...  me faz sangrar ...
isso não é justo...
voce não devia me impressionar,
me dizer essas coisas, me agradar,
só pra depois ...
e agora ?
                                              -silvia helena aquino-


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SONHOS

Todo mundo tem sonhos ...
teus olhos, calmos claros e cristalinos,
teu coração limpo
teu gosto de pecado
teus demonios internos
só eu os conheço ...
só eu te conheço,
só eu te solto e te faço voar
te prendo entre as minhas coxas,
te enrosco entre meus pêlos,
trago tua luz nas entranhas,
Meu bonito,
eu te alucino e te fascino,
eu te desperto, te enfeito e te faço chorar...
te sigo e te salvo
sou tua resistencia suculenta
tú me profanas,
me envolve em teus mistérios,
teus casos...
me faz tua cúmplice,
coisas da alma ...
da tua loucura emana paixão
delírios ...

Uma pessoa pode manter outra pessoa viva, só por existir ...

                                                        -silvia helena aquino-



domingo, 15 de janeiro de 2012

ENLUARADA


Hoje é lua cheia
Lua ampla, imensa, amarela,
Sua sombra recai sobre mim
E eu fico enluarada ...
A Lua influi em mim, como nas marés ...
Para cima e para baixo,
Num fluxo constante de energia que desaba sobre mim,
Estimula e vivifica meus sentidos,
Até quase o insuportável ...
Não sou mais responsável pelos meus atos,
é tudo culpa "dela"
eu não tive nenhuma possibilidade de escolha,
a fatalidade marcada na pele ...
Olho para ela, tão cheia e branca,
Tão distante e absurdamente linda,
misteriosa e antiga ...
Nossa inominada Lua ...
é a única no sistema solar que que não tem um nome ...

É ... a Lua guarda os seus segredos ...

                                                         -sílvia helena aquino-

SOLIDÃO


Se nasce só ... quando se nasce,
Se vive só ... quando se sobrevive,
Na morte estaremos sós ?
(Como é possível morrer sem ter vivido?)
Será que nunca existirá alguém ?
                                                           -sílvia helena aquino-

Irremediável ...

Não dá pra voltar o tempo...não dá pra voltar os dias que se passaram...
As horas... retirar as palavras que forma ditas ... ou os atos praticados
Não dá pra começar de novo na vida...
Só é possível continuar, ir em frente,
Mas tudo muda, e não tem volta,

A leveza, a confiança, a espontaneidade, a inocência Que foram contaminadas, maculadas
Estão irremediavelmente perdidas,
Nunca mais será como era,
Irremediável ...
Resta sobreviver e esperar ,
que tudo fique cada vez mais distante ...
                                                   - silvia helena aquino-

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A DOR

A dor não foi feita pra qualquer um ...
É preciso muita coragem pra sofrer,
É muito mais seguro nem sequer viver !
Um cadáver não sangra ...
Só sente dor quem ainda está vivo ...
                                           -sìlvia helena aquino -

domingo, 8 de janeiro de 2012

CONEXÃO

A tua alma compreende a minha ...

As vezes acho que é a única alma em um universo interminável de almas
que compreende a minha ...
Só você consegue me ouvir,
Só você compreende, não só o que falo, mas o que digo pela forma como falo ...
Só você pode completar as frases que deixo pelo metade ...
Saber o que penso, só de olhar em meu olhar ...
Nunca consegui esconder nada de você ...
Meu grilo falante, meu gêmeo ...

Tua alma prende a minha...
 
Meu mundo acaba quando você não está ...
Ninguém ouve, enxerga, decifra ou entende,
Fico isolada ... mais que sozinha...

incomunicável ...
eu solitária quando você não está ...


Meu intérprete com o resto do mundo,
Meu tradutor...
Nada do que faço ou falo faz sentido sem você ...

Você sabe coisas...

quem foi Inês de Castro ou Eleonora de Aquitânia ...
A diferença absoluta entre Psique e Afrodite ...
Ventos solares ... Pulsares ... Supernovas ...


E nas vezes em que enlouqueço, mesmo assim ...
sem fazer sentido ou ter razão,

sem que haja a menor lógica,
você me compreende ...
você me vê
e eu existo pra você .
                                            -sílvia helena aquino -




FRIO

Sensação estranha ... a total ausência de sensações, nem alegria, nem tristeza, ânimo ou desânimo, nem mesmo a raiva, só quietude, espera, observação.
Como que anestesiada, nenhuma emotividade aparente, nada comove, nada assusta ou surpreende, é como se tudo já fosse esperado, justamente porque nunca espera nada de ninguém, então nunca se decepciona, é como se, de alguma forma, soubesse antes
... ela sempre sabe antes ...
Nada é forte demais, nenhuma palavra, nenhuma ausência, nenhum acontecimento, ou imagem, nenhum gesto ou atitude, nem mesmo a falta de atitude, nada, verdadeiramente, a choca, tudo é sempre previsto, “possível”.
É talvez a forma mais gritante de manifestação da desesperança, da desilusão. Dor.

Tanta dor que nem mesmo a percebe, pois não se recorda mais como é não sentir dor...
ela é tanta  e tão constante que passou a ser o estado “normal”, a exceção seria a ausência de dor, assim, acostumou-se de tal forma que já não a sente ... estranho .... o excesso de dor que se transforma em insensibilidade ...

A emoção antes fluídica, natural, exuberante, dá lugar a mais completa apatia, a falta de reação, falta de motivos para reagir, então ... espera-se, observa-se, aguarda-se... distante, de fora...

É uma estranha forma de reação, a total falta de sensações ...

                                                                                    - sílvia helena aquino -

sábado, 7 de janeiro de 2012

FISICAMENTE

Sinto sua presença inumana,
A ausência da matéria só torna mais forte e exaspera  os sentidos ...
Os poros se dilatam dolorosamente ...
Mente, mente ...
A mente mente ?
Será que mente pra mim?
“Ilusões perigosas” ... talvez ...
Não. Sinto sua presença cada vez mais forte em mim
Algumas vezes, quase posso ouvir sua voz
Mas dessa vez ... acho que perdi a minha vez,
Vim mais cedo, ou então tarde demais
E você não está,
Já se foi, ou ainda não chegou
Físicamente ...
                                              - sílvia helena aquino -

DOCE

Podia ser esperança

Podia ser sonho

Podia ser amizade

Podia ser amor ... ou mais ..

Podia.

                           - silvia helena aquino -

A TORRE

Sinto saudade de um tempo em que não vivo
De uma amor que não conheço
De tudo que ainda não fiz,
Mas quis ...
Sinto sua falta, como de respirar
Sinto sua presença em sua ausência
A cada instante na minha vida
Sinto saudade do que já vivi
Mas não lembro ..

Ou lembro...um pouco ...
Sinto saudade do que intuí,
E o que sinto me sufoca,
Incomoda...

Sinto tanta saudade que dói,
Corrói, aflige,
Como ir ao tempo em que você está ?
                                                          - sílvia helena aquino -