Eu queria poder me deitar com você, me deitar sobre você, cobrir o teu corpo com o meu corpo, e deixar que o teu corpo absorvesse, aos poucos, lenta e totalmente, o meu corpo ...
E eu viraria líquido, pasta, e penetraria na tua pele, em cada poro teu, cada molécula, e você ficaria impregnado de mim ...
E o teu cheiro seria o meu cheiro, e ao senti-lo você, inevitavelmente se lembraria de mim, dentro de você ...
E eu faria todos os teus movimentos, sentiria todas as tuas sensações, saberia de todos os teus pensamentos ... eu moraria dentro de você como um caracol ...
me esconderia dentro de tuas vísceras, e tú me abrigarias em tuas entranhas, em cada órgão teu, e nunca, nada nem ninguém, poderia me separar de você, me destacar de você ...
distinguir-nos...
E você nunca mais se afastaria de mim – “nunca mais sozinha, nunca mais a solidão que eu sinto quando você não está, mesmo havendo mil, dez mil, cem mil pessoas existindo unicamente para mim, à minha volta ... eu sozinha quando você não está ...” –
Ah, se eu pudesse entrar em você desse modo, desvanecendo, desaparecendo definitivamente dentro de você, do teu corpo, abdicando da unidade para sempre em uma fusão irrecorrível, de um modo forte, absoluto, com sensação de fatalidade, quando não há mais nada a ser feito, sem haver mais forma de me salvar, deglutida que seria eu por minha própria fome insaciável de permanecer em você ...
E eu desapareceria dentro de você, e “os outros”, aqueles que antes me conheciam, só poderiam então me reconhecer, na expressão que ficaria marcada no teu olhar ...
-sílvia helena aquino -
Quanta intensidade... adorei. Beijokas.
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